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Eu cresci dentro de loja de roupa.

Antes dos 18 anos já era representante de uma marca em Salvador. Depois veio o shopping, as lojas, os óculos, outras marcas. Aprendi na prática o que faz uma peça vender — e o que faz uma marca durar.

Mas o pagode sempre foi outra coisa. Não hobby. Não fim de semana. Modo de vida eu acho. No ensino médio tinhamos uma banda — Samba Canção. Até hoje a gente se reúne, aquela bagunça organizada, cada um num instrumento, todo mundo na voz ao mesmo tempo. Quem é cria entende.

Viajo o Brasil atrás de show. Conheço artistas. Só escuto pagode. Meus amigos vivem pagode. A resenha, a cerveja, a música que você conhece desde criança e ainda te dá aquele frio na barriga — isso é o meu mundo.

Em algum momento comecei a olhar pro que eu vestia nesses momentos e pensei: cadê a marca que representa isso de verdade? Não a marca que usa o pagode como estética, hype. A marca de quem vive.

Foi aí que nasceu a Cria do Pagode.

As estampas vêm de letras reais, de frases que a galera já conhece, já cantou, já sentiu. É reconhecimento, você vê a camiseta e pensa "isso sou eu".

Hoje a Cria tem camisetas que já geram a resenha na rua, a paquera, que tiram a pessoa da timidez, já sendo o primeiro contato. Não porque são bonitas. Porque dizem algo que a pessoa sente mas não sabia como vestir.

Isso é o que a gente faz aqui.

 

Allan Rodrigo — fundador da Cria do Pagode Salvador, BA